Enamed 2025 expõe baixo desempenho de alunos de faculdades privadas com fins lucrativos
Quatro em cada dez estudantes de medicina formados por faculdades privadas com fins lucrativos no Brasil não alcançaram a nota mínima exigida no Enamed 2025, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e acenderam um alerta sobre a qualidade da formação oferecida nessas instituições.
Dentro desse grupo, apenas 57,2% dos formandos foram considerados aptos, percentual bem abaixo do registrado nas universidades públicas. O contraste é significativo. Alunos de instituições federais atingiram média de 83,1% de proficiência, enquanto nas universidades estaduais o índice chegou a 86,6%. Já nas faculdades privadas sem fins lucrativos, o desempenho foi intermediário, com 70,1%, ainda assim inferior ao das instituições públicas.
O Enamed avaliou 351 cursos de medicina em todo o país e contou com cerca de 89 mil participantes, entre formandos e candidatos à residência médica. Ao todo, 107 cursos ficaram abaixo do nível mínimo de 60% de proficiência exigido pelo MEC. Desses, 54 poderão sofrer sanções, como redução de vagas ou até suspensão de novas matrículas até a próxima avaliação.
Especialistas da área da saúde apontam que os resultados evidenciam falhas na formação médica, principalmente após a rápida expansão de cursos privados nos últimos anos. A preocupação maior é com a segurança no atendimento à população, já que profissionais mal preparados podem comprometer a qualidade do serviço prestado.
Inep descarta erro nos resultados
Diante das críticas, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios, afirmou nesta terça-feira (20), em entrevista à TV Brasil, que não há erro nos resultados da primeira edição do Enamed.
O desempenho abaixo do esperado vem sendo questionado por associações que representam faculdades privadas. Elas alegam divergência entre os dados informados pelas instituições em dezembro do ano passado e os números divulgados agora.
Palacios reconheceu que houve, de fato, uma divergência de informações em um comunicado interno no sistema eMEC, utilizado pelas faculdades para validação de dados. Segundo ele, o erro estava relacionado ao número de estudantes que atingiram a proficiência, mas foi corrigido com base no resultado oficial da prova.
O presidente do Inep ressaltou ainda que esse dado equivocado não foi utilizado para classificar os cursos, reforçando a credibilidade do exame e dos resultados divulgados.
O episódio reacende o debate sobre a necessidade de maior fiscalização, critérios mais rigorosos para abertura de novos cursos e políticas públicas que garantam uma formação médica de qualidade no país.
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