8 de março. Flores não bastam quando mulheres ainda morrem
O 8 de março chega todos os anos carregado de flores, mensagens bonitas e homenagens. Mas existe uma pergunta incômoda que precisa ser feita antes de qualquer celebração: o que exatamente estamos comemorando quando mulheres continuam sendo assassinadas por serem mulheres?
O Dia Internacional da Mulher nasceu da luta. Não nasceu para ser um feriado simbólico de posts nas redes sociais ou promoções em lojas. Nasceu da resistência de mulheres que enfrentaram exploração, violência e silêncio.
Mais de um século depois, a luta ainda não acabou.
Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a um crescimento alarmante nos casos de feminicídio, o assassinato de mulheres motivado por violência de gênero. São histórias que começam quase sempre do mesmo jeito. Controle. Ciúmes. Agressões ignoradas. Ameaças tratadas como “briga de casal”. Até que a notícia aparece no jornal. Mais uma vida interrompida.
E então surgem as mesmas frases de sempre.
“Ele era um homem trabalhador.”
“Ninguém imaginava.”
“Era um casal normal.”
Mas a verdade é que a violência contra a mulher quase nunca começa no dia do crime. Ela cresce aos poucos, em silêncios, em medo, em dependência emocional, em ameaças que muitas vezes não são levadas a sério.
Feminicídio não é um acidente.
É o último capítulo de uma história de violência.
E é justamente por isso que o 8 de março precisa ser mais do que homenagens. Precisa ser reflexão, indignação e mudança.
Valorizar mulheres não é apenas publicar uma foto bonita com uma frase motivacional. É respeitar. É ouvir. É não silenciar denúncias. É não relativizar agressões. É educar meninos para que entendam que amor nunca foi posse.
Porque enquanto algumas mulheres recebem flores hoje, outras estão tentando sobreviver.
Outras estão tentando sair de relacionamentos abusivos.
Outras estão tentando ser levadas a sério.
E muitas estão tentando algo que deveria ser simples, mas ainda não é: viver.
O Dia da Mulher não deve ser apenas um momento de homenagem. Deve ser um lembrete coletivo de que ainda há um caminho longo pela frente.
Que cada mulher que estuda, trabalha, cria filhos, lidera, empreende, luta e sonha carrega consigo uma história de resistência.
E que uma sociedade verdadeiramente justa não é aquela que celebra mulheres apenas um dia por ano.
É aquela que garante que elas voltem para casa todos os dias.
Neste 8 de março, mais do que parabéns, as mulheres merecem algo muito maior.
Respeito. Segurança. Voz. Espaço. Vida.
Porque quando uma mulher é silenciada pela violência, toda a sociedade falha.
E essa é uma conta que não pode mais continuar sendo paga com sangue.
Paraná em Pauta - Informação que move o estado





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